Sunday, November 25, 2018

Máscaras no JasperReport: o jeito certo

Durante o desenvolvimento de relatórios, um trabalho para o qual geralmente é relegado menor prioriade e que, portanto, ao final costumam ser feitos na base da gambiarra, são as máscaras dos campos.

É bastante comum soluções que colocam toda lógica de formatação do valor do campo de texto dentro do próprio campo de texto, como no screenshot abaixo tirado do editor de expressão do JasperStudio:


O código da expressão é o que segue:
 ($F{telefoneEmpresaAdm} != null && $F{telefoneEmpresaAdm}.length() == 13) ? 
 ("(" + ($F{telefoneEmpresaAdm}.substring(0,4).trim()) + ") " + $F{telefoneEmpresaAdm}.substring(4,9) + "-" + $F{telefoneEmpresaAdm}.substring(9,13)) : 
 ($F{telefoneEmpresaAdm} != null && $F{telefoneEmpresaAdm}.length() == 12) ? 
 "(" + (($F{telefoneEmpresaAdm}.substring(0,4).trim())+ ") " + $F{telefoneEmpresaAdm}.substring(4,8) + "-" + $F{telefoneEmpresaAdm}.substring(8,12)) : 
 ${telefoneEmpresaAdm}
    
Nesse código temos a lógica para criar a máscara para um campo de texto que representa um número de telefone. Esta lógica supostamente atende aos diversos cenários em que um número de telefone pode ocorrer: celular ou fixo? contém DDD? em algumas cidades do Brasil o número do  telefone fixo tem mais dígitos do que outras, etc.

Essa abordagem pode até resolver o problema no curto prazo, mas obviamente não é uma boa solução em termos de manutenção do projeto porque a lógica de formatação fica espalhada nos campos. Em projetos com dezenas ou até centenas de relatórios, essa estratégia se torna inviável.

A solução ideal é centralizar tais tarefas em um único local, de modo que todos os relatórios busquem alí a máscara para um respectivo campo. Esse local é uma classe com dezenas de métodos estáticos cada um contendo uma lógica de formatação para um determinado tipo de campo e cenário. Podemos inclusive invocar esses métodos a partir da template .jrxml, seja em produção ou em teste.

Projeto de Exemplo

Para exemplificar esta abordagem criamos um projeto que chama um relatório cuja fonte de dados é um banco de dados relacional. Para criar e popular o banco de dados, execute o seguinte script SQL (o banco de dados que utilizo neste exemplo é o MySQL):
create database if not exists bancoDeDados;
use bancoDeDados;
create table if not exists algumaEntidade(cep varchar(255), 
            telefone varchar(255), 
            data date, 
            valor decimal(5,2), 
            cpf varchar(255));
                                 
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');
insert into algumaEntidade values ('15015015','1234567890', '2000-10-25', 55.35, '89340813502');    
Nesse script criamos colunas com tipos de dados que aparecem com frequência em qualquer relatório e sempre requerem algum tipo de máscaras formatação.

A classe Mascaras assume a responsabilidade de controlar toda lógica de geração de máscaras para todos os relatórios do projeto:
package main;

import java.math.BigDecimal;
import java.sql.Date;
import java.text.DecimalFormat;
import java.text.DecimalFormatSymbols;
import java.text.NumberFormat;
import java.text.ParseException;
import java.time.LocalDate;
import java.time.format.DateTimeFormatter;
import java.util.Locale;

import javax.swing.text.MaskFormatter;

public class Mascaras {

 public static String getDataAtualCompleta() {
  
  DateTimeFormatter dtf = DateTimeFormatter.ofPattern("dd 'de' MMMM 'de' yyyy", new Locale("pt", "BR"));
  
  LocalDate hoje = LocalDate.now();
  return dtf.format(hoje);
 }
 
 public static String getCEP(String cep) {
  
  try {
   MaskFormatter mask = new MaskFormatter("#####-###");
   mask.setValueContainsLiteralCharacters(false);
   return mask.valueToString(cep);
  }
  catch (ParseException ex) {
   ex.printStackTrace();
   return null;
  }
 }
 
 public static String getTelefone(String telefone) {
  
  try {
   String pattern = null;
   
   if(telefone.length() == 10) 
    pattern = "(##) ####-####";  //fixo com ddd   
   
   else if(telefone.length() == 11)
    pattern = "(##) #-####-####"; // celular com ddd
   //else if... outros formatos
   
   MaskFormatter mask = new MaskFormatter(pattern);
   mask.setValueContainsLiteralCharacters(false);
   return mask.valueToString(telefone);
  }
  catch (ParseException ex) {
   ex.printStackTrace();
   return null;
  }
 }
 
 public static String getDataSimples(Date date) {
  
  DateTimeFormatter dtf = DateTimeFormatter.ofPattern("dd/MM/yyyy", new Locale("pt", "BR"));  
  LocalDate hoje = date.toLocalDate();
  return dtf.format(date);
 }
 
 public static String getCPF(String cpf) {
  
  try {
   MaskFormatter mask = new MaskFormatter("###.###.###-##");
   mask.setValueContainsLiteralCharacters(false);
   return mask.valueToString(cpf);
  }
  catch (ParseException ex) {
   ex.printStackTrace();
   return null;
  }
 }
 
 public static String getValorMonetario(BigDecimal valor, boolean usaSimboloMoeda) {
  
  NumberFormat format = NumberFormat.getCurrencyInstance(new Locale("pt", "BR"));
  
  DecimalFormatSymbols dfs = ((DecimalFormat)format).getDecimalFormatSymbols();
  
  if(!usaSimboloMoeda)
   dfs.setCurrencySymbol("");
  
  ((DecimalFormat)format).setDecimalFormatSymbols(dfs);
  
  return format.format(valor);  
 }
}    
Em seguida temos a template jrxml que representa o modelo do relatório. Ela contém a query que busca os dados no banco de dados que criamos:
<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>

<jasperReport name="TesteMascaras">
  
 <queryString language="SQL">
 
  SELECT algumaEntidade.cep,
   algumaEntidade.telefone,
   algumaEntidade.data,
   algumaEntidade.valor,
   algumaEntidade.cpf
  FROM algumaEntidade
 
 </queryString>
 
 <field name="cep" class="java.lang.String"/>
 <field name="telefone" class="java.lang.String"/>
 <field name="data" class="java.sql.Date"/>
 <field name="valor" class="java.math.BigDecimal"/>
 <field name="cpf" class="java.lang.String"/>
 
 <variable name="somaValor" class="java.math.BigDecimal" calculation="Sum">
  <variableExpression>$F{valor}</variableExpression>
 </variable>
 
 <title>
  <band height="46"  >
   <staticText>
    <reportElement x="29" y="8" width="180" height="30" />
    <textElement>
     <font isBold="true"/>
    </textElement>
    <text>MÁSCARAS</text>
   </staticText>
   <textField>
    <reportElement x="370" y="8" width="175" height="30" />
    <textFieldExpression>main.Mascaras.getDataAtualCompleta()</textFieldExpression>
   </textField>
  </band>
 </title>
 <columnHeader>
  <band height="61"  >
   <staticText>
    <reportElement x="0" y="0" width="80" height="30" />
    <text>cep</text>
   </staticText>
   <staticText>
    <reportElement x="90" y="0" width="78" height="30" />
    <text>telefone</text>
   </staticText>
   <staticText>
    <reportElement x="180" y="0" width="100" height="30" />
    <text>data</text>
   </staticText>
   <staticText>
    <reportElement x="422" y="0" width="100" height="30" />
    <text>valor</text>
   </staticText>
   <staticText>
    <reportElement x="297" y="0" width="100" height="30" />
    <text>cpf</text>
   </staticText>
  </band>
 </columnHeader>
 <detail>
  <band height="40"  >
   <textField>
    <reportElement x="0" y="0" width="80" height="30" />
    <textFieldExpression>main.Mascaras.getCEP($F{cep})</textFieldExpression>
   </textField>
   <textField>
    <reportElement x="90" y="0" width="85" height="30" />
    <textFieldExpression>main.Mascaras.getTelefone($F{telefone})</textFieldExpression>
   </textField>
   <textField>
    <reportElement x="180" y="0" width="100" height="30" />
    <textFieldExpression>main.Mascaras.getDataSimples($F{data})</textFieldExpression>
   </textField>
   <textField>
    <reportElement x="422" y="0" width="100" height="30" />
<!--     podmeos inclusive passar parametros que não sejam o campo $F, neste caso passomos um boolean literal -->
    <textFieldExpression>main.Mascaras.getValorMonetario($F{valor}, false)</textFieldExpression>
   </textField>
   <textField>
    <reportElement x="297" y="0" width="100" height="30" />
    <textFieldExpression>main.Mascaras.getCPF($F{cpf})</textFieldExpression>
   </textField>
  </band>
 </detail>
 <summary>
  <band height="44"  >
   <textField>
    <reportElement x="410" y="7" width="134" height="30" />
    <textFieldExpression>main.Mascaras.getValorMonetario($V{somaValor}, true)</textFieldExpression>
   </textField>
  </band>
 </summary>
</jasperReport>
    
E a classe Main que inicia a aplicação e chama o relatório:
package main;

import java.io.InputStream;
import java.sql.Connection;
import java.sql.DriverManager;

import net.sf.jasperreports.engine.JasperCompileManager;
import net.sf.jasperreports.engine.JasperFillManager;
import net.sf.jasperreports.engine.JasperPrint;
import net.sf.jasperreports.engine.JasperReport;
import net.sf.jasperreports.view.JasperViewer;

public class Main {

 public static void main(String[] args) throws Exception {

  String url = "jdbc:mysql://localhost/bancoDeDados?useSSL=true&serverTimezone=UTC&user=root&password=root";

  Class.forName("com.mysql.cj.jdbc.Driver");
  
  try (Connection conn = DriverManager.getConnection(url);) {

   InputStream stream = Main.class.getResourceAsStream("TesteMascaras.jxml");
   
   JasperReport jasper = JasperCompileManager.compileReport(stream);
     
   JasperPrint print = JasperFillManager.fillReport(jasper, null, conn);
   
   JasperViewer viewer = new JasperViewer(print);
   viewer.setVisible(true);
  }
 }
}    
O resultado é o relatório com os campos devidamente formatados abaixo.


Esse é o padrão correto para criação de máscaras em relatórios no Java.

"Assim diz Javé dos exércitos: Neste lugar agora arruinado, sem gente e sem criações, e também em todas as suas cidades haverá pastagens, onde os pastores farão suas ovelhas repousar."
Jr 33,12


       

Monday, November 19, 2018

Livro "A Philosophy of Software Design" de John Ousterhout

No livro A Philosophy of Software Design de John Ousterhout, o autor dedica várias páginas sobre comentários nas classes. Pode parecer apenas uma distração enfadonha, até você se dar conta de que comentários são a pedra angular para um conjunto de boas práticas no desenvolvimento de software.

Ousterhout apresenta algumas convenções para fazer comentários, dentre essas ele recomenda que a primeira coisa que você deve fazer ao criar uma classe é escrever comentários, os quais se dividem em dois tipos: alto-nível e baixo-nível.

Comentários de alto-nível são sobre a finalidade da classe e sua relação com outras classes. Esse tipo de comentário deve resumir tudo o que alguém precisa saber sobre a classe, exceto detalhes de implementação.

Comentáros de baixo nível são aqueles espalhados pela classe, devem funcionar como uma lanterna, cuja finalidade é esclarecer o como e o porquê - desde que o código não esteja claro o suficiente para responder a isso por si só.

Abordagem interessante.


Friday, November 16, 2018

Hello World Java-Docker

Docker é um software que cria, gerencia e coordena containers. Containers por sua vez são processos que rodam dentro do Docker. Exemplos de containers são:
  • Wildfly JBoss 
  • MySQL
  • Linux Ubuntu
  • Ruby
  • Windows Nano
  • React NPM
  • JDK 6, 7, 8 etc.

Diferentemente dos processos que executam isoladamente em sistema operacional qualquer, os quais são compilados para executar somente naquele ambiente e ainda podem demandar outras instalações e configurações a parte, os containers são extremamente portáveis e rodam sobre uma imagem que representa o ambiente completo requirido para que aquele processo execute com sucesso.

Uma imagem no Docker é uma definição estática e imutável de todo um ambiente de execução.

Já o container é uma instância (em execução ou parada) de uma imagem. No Docker, containers estão para uma imagem assim como objetos estão para uma classe no Java.

Uma vez que containers não são instalados diretamente no sistema operacional local, nem suas dependências, que podem ser muitas, o maior benefíco do Docker é a portabilidade, já que um container pode executar em qualquer outro sistema operacional que tenha o Docker instalado.

O maior benefíco do uso de containers é a portabilidade

Hello World da Imagem Open JDK 10




Neste exemplo introdutório criamos uma classe chamada HelloJavaDocker que vai executar no container chamado hello-java-docker criado a partir da imagem Open JDK 10:

public class HelloJavaDocker{

    public static void main(String[] args){

        System.out.println("HELLO WORLD FROM JAVA DOCKER IMAGE!! *************\n\n");
    }
}

Compile a classe e gere o arquivo HelloJavaDocker.class:

$ javac HelloJavaDocker.java

No mesmo diretório no qual se encontra o arquivo HelloJavaDocker.class, crie um arquivo chamado Dockerfile. Este arquivo contém as instruções sobre como executar a classe HelloJavaDocker em qualquer lugar:

# imagem
FROM openjdk:10

# ADD recebe 2 parametros
# 1) fonte para adicionar na imagem; 2) localização do fonte dentro da imagem
ADD HelloJavaDocker.class .

# diz ao Docker como executar o fonte
ENTRYPOINT ["java", "HelloJavaDocker"]


Construindo a Imagem e Rodando o Container

Caso você não tenha o docker instalado na sua máquina, você pode baixá-lo, no Linux, pelo seguinte comando:
    
        $ wget -qO- https://get.docker.com/ | sh
    
Para versões a partir do Windows 10 (64bit) você pode baixar o executável na página oficial do Docker.

A maioria das operações no Docker se resumem a 2 passos:
  1. Construir a imagem, comando docker build
  2. Rodar o container, comando docker run

Para construir a imagem OpenJDK, vá para o diretório onde se encontra o arquivo Dockerfile e HelloJavaDocker.class e execute o seguinte comando:
    
        $ ls
        Dockerfile  HelloJavaDocker.class  HelloJavaDocker.java
        $ docker build -f Dockerfile -t hello-java-docker .
    

A opção -f  (file) recebe como argumnento a localização do Dockerfile.

A opção -t (tag) recebe como argumento o nome que daremos ao container e já cria uma instância baseada nessa imagem.

Agora execute a instância da imagem, que é o container hello-java-docker:
    
        $ docker run -it hello-java-docker
    


A classe HelloJavaDocker executou dentro do container hello-java-docker baseado na imagem Open JDK 10. 

Repare que nem sabemos se o Java está instalado e configurado no host local, pode ser sim, pode ser que não... Isso é indiferente! (na verdade o Java está instalado porque compilamos a classe fora da imagem, porém também poderíamos compilar o arquivo .java dentro do Docker)

Referências:
krammark23 Youtube
Docker Deep Dive, Nigel Poulton (2016)

       

Tuesday, October 16, 2018

Modular Projects no NetBeans 9.0

NetBeans 9 é a primeira release desde que a IDE passou a fazer parte da família Apache, cujo nome oficial agora é Apache NetBeans.

O NetBeans 9 também é a primeira versão desta IDE a conter suporte para o sistema de modularização da plataforma java, recurso que foi incluido a partir da versão 9 do java. Um módulo na plataforma Java consiste em:
  • Uma coleção de pacotes
  • Uma lista de quais pacotes estarão acessíveis para outros módulos
  • Uma lista de todos os módulos dos quais o módulo atual depende
Um módulo, portanto, pode controlar seletivamente quais pacotes estão disponíveis, isso reforça o encapsulamento e o gerenciamento de dependências, evitando problemas recorrentes na configuração do class path de seu projeto, tais como classes duplicadas ou não encontradas (ClassNotFoundException).



Java Modular Project

O NetBeans 9 apresenta uma nova opção de projeto, que é o Java Modular Project.
Caso queira modularizar sua aplicação, você deve escolher essa opção ao criar um novo projeto. 


Vamos criar um novo Java Modular Project que faz uso do módulo java.xml.bind, popularmente conhecido como JAXB API, ou seja, nosso projeto de exemplo converte uma classe java em um arquivo xml (você pode conferir todos os módulos disponíveis no javadoc do Java 10). Clique em Next e dê o nome ao novo projeto de JavaModular.

Clique com o botão direito na raiz do projeto JavaModular, navegue por new / module:


Dê o nome ao novo módulo de modular.test. (nomes de módulo devem ser globalmente únicos, a melhor forma de garantr isso é utilizar a mesma abordagem para nomeação de pacotes). O NetBeans já cria automaticamente o arquivo de configuração obrigatório em todos os módulos, chamado de module-info.java.

Clique com o botão direito no módulo que você acabou de criar e adicione um novo pacote chamado com:


Repare na estrutura do projeto. No pacote com vamos criar a classe Pais, que será convertida em um arquivo XML:
package com;

import javax.xml.bind.annotation.XmlAccessType;
import javax.xml.bind.annotation.XmlAccessorType;
import javax.xml.bind.annotation.XmlElement;
import javax.xml.bind.annotation.XmlRootElement;

@XmlRootElement
@XmlAccessorType(XmlAccessType.FIELD)
public class Pais {
 
 @XmlElement
 private String nome;
 @XmlElement
 private double area;

 public Pais() {
 }

 public Pais(String nome, double area) {
  this.nome = nome;
  this.area = area;
 }
    //getters e setters...

Ao criar as delcarações de import para os pacotes javax.xml, ocorre um erro de compilação, package javax.xml.bind.annotation is not visible. Isso porque esses pacotes estão em um módulo separado. Precisamos declarar explicitamente no arquivo module-info que nosso módulo modular.test precisa desses pacotes, os quais pertencem ao módulo java.xml.bind. Para isso utilizamos a palavra chave requires dentro do arqivo de configuração do módulo:

module modular.test{
 
    requires java.xml.bind;

}

Agora no pacote com crie a classe Main na qual instanciaremos um objeto da classe Pais:
package com;

import javax.xml.bind.JAXBContext;
import javax.xml.bind.JAXBException;
import javax.xml.bind.Marshaller;

public class Main {

 public static void main(String[] args) throws JAXBException {
 
  Pais brasil = new Pais("Brasil", 8_600_000);
  JAXBContext context = JAXBContext.newInstance(Pais.class);
  Marshaller m = context.createMarshaller();
  m.setProperty(Marshaller.JAXB_FORMATTED_OUTPUT, true);
  m.marshal(brasil, System.out);
 }
}

Até aqui vimos claramente como a modularização reforça o encapsulamento. Um módulo só pode acessar pacotes explicitamente exportados por outros módulos, ou seja, só conseguimos usar as classes do pacote java.xml.bind porque o módulo java.xml exporta tais pacotes. Por exemplo, se quisermos que o pacote que acabamos de criar com esteja disponível para uso em outros módulos, então no arquivo module-info adicionamos a declração exports para esse pacote:

 exports com;

Reflection API em Módulos

Outro ponto interessante a notar é que frameworks de mapeamento como o JAXB, que estamos usando neste exemplo, ou o JPA, que mapeia classes Java para tabelas no banco de dados, entre outros,  utilizam a API Reflection para fazer o mapeamento das propriedades das classes, mesmo que essas propriedades sejam privadas. Em um ambiente modular, tentar acessar campos privados via reflection não é 100% garantido. Sim, isso significa que um sistema desenvolvido no Java 8 (ou mais antigo) que faz uso de APIs como JAXB, JPA ou outros frameworks que utilizam extensivamente a API Reflection, pode não rodar no ambiente Java 9 (ou mais novo).

Tente executar a classe Main e comprove. Uma exceção é lançada porque o JAXB tenta acessar os campos privados da classe Pais via reflection.

Para liberar o acesso via reflection não basta exportar sua classe, é necessário utilizar a declaração opens para determinada classe ou pacote. O arquivo module-info portanto deve ficar como segue:
module modular.test {
    exports com;
    requires java.xml.bind;
    opens com;
}

Agora sim podemos executar a classe Main. Ela imprime na tela a o objeto Pais no formato xml:
<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<pais>
    <nome>Brasil</nome>
    <area>8600000.0</area>
</pais>

         

Monday, October 1, 2018

AWS-EC2: Acessando Windows a partir do Linux

Após criar e lançar uma instância Windows na AWS, para acessá-lá a partir de um Linux, os seguintes passos são requeridos:

  1. Adicionar no security group da instância Windows uma regra interna (inbound rule) para permitir acesso remoto usando o protocolo RDP (Remote Desktop Protocol);
  2. Ainda no security group, liberar a origem do acesso remoto para seu próprio IP ou qualquer outro;
  3. Na máquina Linux instalar o software Remmina para o acesso remoto.

Configurando o Security Group

Por padrão, Security Groups não permitem acesso remoto pelo protocolo RDP. Você precisa criar uma regra interna liberando esse processo a partir de um ou qualquer endereço IP.

No console de administração da AWS, edite o Secutity Group da instância Windows para a qual você quer liberar o acesso remoto. Como na imagem abaixo, na combobox type selecione RDP e em source, qualquer IP. Salve esta configuração.



Instalando e configurando Remmina

Livre de licensas, Remmina é um cliente de desktop remoto para Linux semelhante ao TeamViewer. O Remmina suporta os protocolos  RDP, VNC, NX, XDMCP, SSH e Telepathy; ele também mantém a lista dos desktops remotos que você acessou.

Para instalar o Remmina execute
  sudo apt install remmina
    
Após instalar, abra o remmina e clique em new:



Na janela que vai abrir, você deve informar os dados de acesso da instância Windows:

  • Em protocol, selecione RDP
  • Em server, coloque o IP público da instância Windows e o número da porta 3389, no formato <numero_ip_publico>:3389
  • O nome do usário, geralmente Administrator
  • A senha de acesso
  • E o DNS público da instancia, algo como ec2-177-29-159-173.sa-east-1.compute.amazonaws.com


Na aba advanced, você encontra algumas opções Qualidade, Som. Qualidade de imagem menor, pode resultar em um ganho de velocidade. Se preferir, pode deixar como está:




Na aba SSH, mantenha desmarcada e opção Enable SSH tunel:


Dê um nome para sua conexão, no meu caso AWS Windows 2016, e salve-a. 

Agora selecione a conexão que você acabou de criar, botão direito do mouse, e clique em conectar:


O remmina exibe o desktop remoto com o qual você acabou de se conectar:



       

Tuesday, September 18, 2018

Microserviços com o PayaraMicro: parte 1

Microserviços constituem uma abordagem arquitetural para sistemas distribuíudos. O objetivo dessa arquitetura é promover o maior desacoplamento possível, de modo que cada serviço seja um sistema menor com seu próprio ciclo de vida, evitando assim armadilhas comuns em sistemas monolíticos maiores, tais como o aumento exponencial e descontrolado da complexidade e a consequente dificuldade de manutenção a medida em que novas funcionalidades vão sendo incorporadas. Empresas como Amazon e Netflix têm se destacado por promover e usar a arquitetura de microserviços em suas próprias plataformas. A comunicação entre os diferentes serviços geralmente é feita via web-services REST.

Microserviços no JavaEE

A iniciativa Eclipse MicroProfile  surgiu em 2016 e reúne grupos de usuários e as empresas que distribuem os principais containers JavaEE como WildFly (Red Hat), WebSphere (IBM), TomEE (TomiTribe) e Payara (antigo GlassFish). O objetivo da iniciativa é otimizar a plataforma JavaEE para o uso da arquitetura de microserviços, criando novos recursos e funcionalidades para isso.

A especificação Eclipse MicroProfile (atualmente na versão 2.0) define uma plataforma de tamanho reduzido para desenvolver microserviços utilizando as principais APIs JavaEE. Portabilidade, menos configuração e simplificação do processo de deploy também são um requisito. Todos os containers microprofile devem conter as seguintes especificações JavaEE:
  • JAX-RS 2.0
  • CDI 1.2
  • JSON-P 1.0 

Payara Micro


Neste artigo exploramos o Payara MicroProfile, o qual, como vimos, é compatível com a especificação Eclipse MicroProfile. Não confunda o Payara Micro com o Payara Server Full, que é o container tradiconal e maior, contendo toda API JavaEE bem como o console de administração.

O Payara Micro compõe um arquivo .jar de 70MB, não é necessário instalação, configuração, nem nenhuma escrita de código. Para subir o Payra Micro apenas execute o arquivo .jar passando como parâmetro o arquivo .war do serviço. Você pode baixá-lo aqui.

Como exemplo, vamos criar um serviço chamado BookService. Esse serviço acessa a base de dados e fornece uma lista de livros disponíveis para outra aplicação que acessa o serviço. Você pode escolher o banco de dados que mais lhe convier, neste exemplo utilizamos o MySQL. A IDE utilizada é o Eclipse JavaEE Photon.

O código fonte do projeto completo está disponível no github.

Crie um banco de dados chamado Livros.

Abra o Eclipse e crie um novo projeto MAVEN com o nome de BookService. No Arquivo pom.xml adicionamos as dependencias do mysql-connector e javaEE 8 API como segue:

<project xmlns="http://maven.apache.org/POM/4.0.0"
 xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
 xsi:schemaLocation="http://maven.apache.org/POM/4.0.0 http://maven.apache.org/xsd/maven-4.0.0.xsd">
 <modelVersion>4.0.0</modelVersion>
 <groupId>BookService</groupId>
 <artifactId>BookService</artifactId>
 <version>1.0</version>
 <packaging>war</packaging>
 <properties>
  <maven.compiler.source>1.8</maven.compiler.source>
  <maven.compiler.target>1.8</maven.compiler.target>
  <project.build.sourceEncoding>UTF-8</project.build.sourceEncoding>
  <project.reporting.outputEncoding>UTF-8</project.reporting.outputEncoding>
 </properties>
 <dependencies>
  <dependency>
   <groupId>javax</groupId>
   <artifactId>javaee-web-api</artifactId>
   <version>8.0</version>
   <scope>provided</scope>
  </dependency>
  <!-- https://mvnrepository.com/artifact/mysql/mysql-connector-java -->
  <dependency>
   <groupId>mysql</groupId>
   <artifactId>mysql-connector-java</artifactId>
   <version>8.0.12</version>
  </dependency>
 </dependencies>
</project>

Agora clique com o botão direito na pasta raiz do projeto. Navegue por Java EE Tools e depois selecione Generate Web Deployment Descriptor:


A importância do arquivo web.xml neste projeto será crucial. Tradicionalmente, aplicações Java EE definem o datasource no próprio servidor de aplicação seja via console admin ou por algum cliente em linha de comando. Com microserviços, convém utilizar uma outra variante. Vamos definir o datasource na própria aplicação e, mais ainda, podemos disponibilizar esse datasource para outros serviços. Isso é possível desde que usemos um JNDI válido para o datasource contendo o namespace java:global. Portanto nosso web.xml fica como segue:

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<web-app xsi:schemaLocation="http://xmlns.jcp.org/xml/ns/javaee http://xmlns.jcp.org/xml/ns/javaee/web-app_3_1.xsd" 
         version="3.1" xmlns="http://xmlns.jcp.org/xml/ns/javaee" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
    <session-config>
        <session-timeout>30</session-timeout>
    </session-config>
    <data-source>
        <name>java:global/livrosDataSource</name>
  <class-name>com.mysql.cj.jdbc.MysqlXADataSource</class-name>
        <server-name>localhost</server-name>
        <port-number>3306</port-number>
        <database-name>Livros</database-name>
        <user>root</user>        
        <password>km02h5</password>
        <property>
         <name>serverTimezone</name>
         <value>UTC</value>
        </property>
        <property>
         <name>useTimezone</name>
         <value>true</value>
        </property>
        <property>
         <name>useSSL</name>
         <value>true</value>
        </property>
        <property>
            <name>fish.payara.slow-query-threshold-in-seconds</name>
            <value>5</value>
        </property>
        <property>
            <name>fish.payara.log-jdbc-calls</name>
            <value>true</value>
        </property>
        <property>
            <name>fish.payara.is-connection-validation-required</name>
            <value>true</value>
        </property>
        <property>
            <name>fish.payara.connection-validation-method</name>
            <value>custom-validation</value>
        </property>
        <property>
            <name>fish.payara.validation-classname</name>
            <value>org.glassfish.api.jdbc.validation.MySQLConnectionValidation</value>
        </property>
    </data-source>
</web-app>

Como vamos utilizar as APIs Java Persistence (JPA) e Java Transaction (JTA), precisamos criar o arquivo persistence.xml e informar o nome do datasource criado no web.xml:

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<persistence version="2.1"
 xmlns="http://xmlns.jcp.org/xml/ns/persistence"
 xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
 xsi:schemaLocation="http://xmlns.jcp.org/xml/ns/persistence http://xmlns.jcp.org/xml/ns/persistence/persistence_2_1.xsd">

 <persistence-unit name="livrosDataSourcePU" transaction-type="JTA">
  <jta-data-source>java:global/livrosDataSource</jta-data-source>
  <exclude-unlisted-classes>false</exclude-unlisted-classes>
  <properties>
   <property
    name="javax.persistence.schema-generation.database.action"
    value="create" />
  </properties>
 </persistence-unit>
</persistence>

Crie agora 2 pacotes chamados com.app e outro com.entidades. No pacote entidades crie a classe Livro

//imports omitidos...

@Entity
@Table(name = "LIVROS")
@XmlRootElement
@NamedQuery(name = "Livro.buscarTodos", query = "SELECT l FROM Livro l")
public class Livro implements Serializable{
 
 private static final long serialVersionUID = 1L;

 @Id @Basic @NotNull
 private Long id;
 
 private String nome;
 
 private int numeroPaginas;
 
 private double preco;
 
 @Temporal(TemporalType.DATE)
 private Date publicacao;

    //getters, setters, equals e hashCode omitidos...
}

No pacote app configuramos o web service REST. Primeiro criamos a classe AplicationConfig. Nela definimos que os serviços poderão ser invocados quando houver a palavra rest na URL do  browser:

package com.app;

import java.util.Set;
import javax.ws.rs.core.Application;

@javax.ws.rs.ApplicationPath("rest")
public class ApplicationConfig extends Application{
 
 @Override
 public Set> getClasses() {
  Set> resources = new java.util.HashSet<>();
  resources.add(LivrosREST.class);
  return resources;
 }
}

E agora crie a classe LivrosREST, a qual será o web service propriamente dito, que retorna ao cliente os livros disponíveis:

//imports e package omitidos...

@Stateless
@Path("livros")
public class LivrosREST {

 @PersistenceContext(unitName = "livrosDataSourcePU")
 private EntityManager em;

 @GET
 @Produces({ MediaType.APPLICATION_XML, MediaType.APPLICATION_JSON })
 public List findAll() {
  
  List livros = null;
  try {
   TypedQuery query = em.createNamedQuery("Livro.buscarTodos", Livro.class);
   livros = query.getResultList();
  }
  catch (NoResultException e) {
  }
  return livros;
 }
}

Nosso projeto já está pronto. Clique com o botão direito do mouse na pasta raiz do projeto, navegue pelas opções run/run as/maven install:


Após executar esse comando, repare que no log do eclipse aparece o caminho completo para onde foi gerado o arquivo .war. Selecione e copie esse caminho:


Agora vamos publicar o serviço. Vá para a pasta onde você salvou o arquivo jar do Payara Micro. Como foi dito no começo deste artigo, execute como um arquivo jar qualquer, e utilizamos o comando --deploy passando como parâmetro o arquivo .war que acabamos de gerar. Abra o prompt de comando e execute o seguinte comando:

java -jar  payara-micro-5.182.jar --deploy /home/rafael/eclipse-workspace/BookService/target/BookService-1.0.war

Ao final do log do servidor, aparece a URL do serviço publicado. A porta default é 8080:


Como a tabela do banco está vazia, ao acessar essa URL não teremos nenhum retorno. Como teste execute o seguinte script sql no seu banco de dados:

insert into LIVROS values (1, 'Pro Spring 5', 600, 25.99, '2010-05-25');
insert into LIVROS values (2, 'Java How to Program', 1200, 10.50, '1999-06-30');
insert into LIVROS values (3, 'JSP Design Patterns', 450, 1.99, '2001-11-28');
insert into LIVROS values (4, 'OCP Certification Guide', 900, 25.99, '2012-05-05');
insert into LIVROS values (5, 'Java EE 7', 600, 5.00, '2016-01-02');

Agora sim. Acesse novamente a URL http://localhost:8080/BookService-1.0/rest/livros e veremos a resposta sob a forma de um arquivo xml:


Na segunda parte deste post criamos uma aplicação cliente que acessa esse serviço.


       

Monday, August 20, 2018

Sorteado de Agosto Curso JEE JavaMail

O arquiteto Java Fernando Franzini tem sorteado cursos gratuitos de algumas APIs do Java EE no seu blog!